O Cheiro do Ralo: cinema independente de verdade

Esse olho é do meu pai!

 

Orçado inicialmente em R$ 2,5 milhões e finalizado, aos trancos e barrancos (praticamente na marra), com enxutos R$ 330 mil, “O Cheiro do Ralo”, baseado na obra de Lourenço Mutarelli, nos traz um Selton Mello (O Auto da Compadecida) despido de (quase) qualquer maneirismo numa atuação madura, segura e brilhante.

 

Selton interpreta Lourenço, um sujeito seco, rabugento e até cruel que se apaixona por uma bunda (isso mesmo) e cria uma obsessão pelo cheiro do ralo que emana do banheiro de sua loja de penhores.

 

Lourenço leva uma vida deprimente (retratada em tudo, até no andar sempre cabisbaixo do personagem) e egoísta, tratando todos ao seu redor da pior maneira possível. A graça do filme reside justamente na viagem pelo universo desse personagem ímpar que em determinado momento diz para sua noiva, “Eu não gosto de minha mãe, eu não gosto de você, eu não gosto de ninguém.”, com uma naturalidade absurda.

 

Com uma direção impecável de Heitor Dhalia (Nina), um roteiro repleto de humor negro (com a cara dos irmãos Cohen) embalado por uma trilha sonora contagiante (digna de Tarantino), “O Cheiro do Ralo” mostra que cinema de qualidade pode ser falado em bom português.

 

 

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