Vicky Cristina Barcelona – humor refinado

nota 5

homem de sorte

Se tem um diretor que consegue me surpreender a cada filme, o nome dele é Woody Allen (Igual a Tudo na Vida). Sei que ele já fez muitos filmes aclamados pela crítica. No entanto, conheço o nome dele desde o tempo em que gostava dos filmes de Van Damme (eu sei, eu sei… Mas isso já passou). Sendo assim, Allen, para mim, era sinônimo de “filme para crítico”. Em outras palavras: chato. É óbvio que acabei descobrindo, ser essa, uma afirmativa falsa, e Vicky Cristina Barcelona, é um ótimo argumento para confirmar isso.

O longa acompanha duas amigas que vão à Barcelona passar o verão. Vicky (Rebecca Hall) vai para obter dados que ajudem em sua tese de mestrado sobre a cultura catalâ, Cristina (a nova musa de Allen, Scarlet Johansson) vai meio a passeio, meio em busca de sí própria. Eis que ambas conhecem, num jantar, Juan Antonio (Javier Bardem), um galanteador pintor espanhol que as convida – numa sinceridade que beira o absurdo – para passar o fim de semana na pequena cidade de Oviedo. Cristina desde já dá a entender que topa a oferta, já Vicky, noiva, reluta a todo custo, mas acaba acompanhando a amiga numa caliente aventura que irá mexer com suas vidas.

Como em todo bom filme do diretor americano, o forte da película está nos magníficos diálogos. Cada conversa entre os personagens é uma oportunidade para Allen destilar todo seu talento, com toques (ácidos) de humor refinado na medida certa. Tudo flui perfeitamente devido a química entre os atores (óbvio que o diretor também tem sua dose de culpa) que parecem bem a vontade em seus papéis.

Uma escolha acertada do cineasta foi a imersiva narração em off. Alguns críticos costumam dizer que a narração é um artíficio perigoso, pois costuma ser redundante e não acrescentar nada ao que se passa na tela. No caso de Vicky Cristina… a ferramenta faz com que tenhamos a sensação de assistir um romance, ou ler um filme.

Como falei em um dos parágrafos acima, o elenco dá um show (com exceção da apenas correta Rebecca Hall) e eleva o filme a outro patamar. Destaque para a neurótica performance da belíssima Penélope Cruz (Volver), que faz a ex-mulher de Juan Antônio, e Javier Bardem aproveitando para demonstrar toda sua versatilidade como ator, pois seu boêmio Juan é o oposto do frio e perturbador assassino Anton Chigurh (seu personagem em Onde os Fracos Não têm Vez). Johansson (Match Point) faz jus ao status de musa e exala sensualidade com seu ar de menina inocente na pele da extrovertida Cristina.

Com uma bela fotografia e um texto soberbo, Vicky Cristina Barcelona mostra (mais uma vez) do que Woody Allen é capaz quando está inspirado. Se você também acha (como já achei) que Allen é sinônimo de filme chato (não sei porque eu pensava isso), esse pode não ser a obra prima do diretor, mas com certeza é um belo filme para você rever seus conceitos.

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