O Orfanato – Del Toro (orgulhosamente) apresenta

nota 4

orfanato

Quando o “Guillermo Del Toro Apresenta” aparece na tela, automaticamente a expectativa criada por obras primas como O Labirinto do Fauno e A Espinha do Diabo (parte inicial de uma trilogia que será encerrada com o aguardadíssimo (pelo menos por mim) 3993) vem à tona e o medo de que essa expectativa seja proporcional a decepção (como ocorreu com o medonho – e estranhamente apresentado por Quentin TarantinoO Albergue) se esvai no decorrer da deliciosa e tensa experiência que é assistir o longa de estréia do (aparentemente) talentoso Juan Antonio Bayona.


O Orfanato acompanha Laura (Belém Rueda, do também excelente Mar Adentro), uma mulher de 37 anos que compra o orfanato onde cresceu antes de ser adotada. Hoje casada e com um filho, o pequeno Símon de sete anos, Laura pretende transformar o local numa casa para crianças com necessidades especiais. No entanto, estranhos barulhos começam a atormentar a protagonista e, para piorar a situação, os amigos imaginários de Simon parecem não ser tão “imaginários” como sua mãe julgava.

É inevitável a comparação com filmes já consagrados como Os Outros e A Espinha do Diabo dos também mexicanos Alejandro Amenábar e o próprio Del Toro. Mas Bayona não plageia o trabalho de seus conterrâneos. Apesar de beber da mesma fonte (a bela e sombria fotografia remete aos trabalhos de Guillermo) o cineasta demonstra ter talento (o cineasta, acertadamente, cria tensão e suspense economizando sustos para momentos chaves) e estilo próprio (prestem atenção nas criativas transições de tomadas que usam a luz ofuscante, ora de uma lanterna, ora do sol…). Outro ponto positivo da película é que, seguindo o exemplo de Del Toro, Bayona evita ao máximo o uso de efeitos de computação, o que torna o filme mais palpável e, consequentemente, assustador.

O Orfanato é basicamente um suspense, mas a trama possui uma veia dramática que mantém a atenção do público por toda a projeção. Mesmo com alguns clichês do gênero (a protagonista desacreditada, a criança que vê fasntasmas…), o roteiro muito bem amarrado (o final de é primoroso), fazendo, inclusive, referência a fábula de Peter Pan, a bela fotografia e a inteligente direção tornam O Orfanato, desde já, um filme obrigatório.

Ps (isso está se tornando frequente): prestem atenção no palestrante que ajuda Laura na metade do filme. É o Senhor Barriga do antigo seriado mexicano “CHAVES”.

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