Faz algum tempo que fiquei sabendo da produção de um documentário sobre o desenvolvimento de games independentes e, por se tratar de um assunto que muito me interessa, aguardei ansioso pelo lançamento do mesmo. No entanto, nunca mais li nada a respeito do filme e só agora através de um amigo (que, sem saber que eu já conhecia o projeto, indicou o documentário com tamanha paixão) soube que a obra já se encontrava disponível para compra em formato digital. Após conferir o resultado na tela, só posso dizer que a espera valeu a pena.

O longa apresenta o processo difícil e apaixonado do desenvolvimento independente de games através da história de três conhecidos projetos da cena indie: o primoroso Braid de Jonathan Blow, o divertidíssimo Super Meat Boy da dupla Edmund McMillen e Tommy Refenes e o tantas vezes adiado FEZ de Phil Fish. O material é muito interessante por mostrar como realmente é a produção de uma obra indie: os erros, os acertos, as difíceis decisões ao longo do projeto (não só as relacionadas ao projeto como as decisões de abrir mão de coisas em suas vidas pessoais) e a alegria de criar um sucesso indie. Importante ressaltar que apenas Braid havia sido lançado antes do início das filmagens e FEZ só foi lançado no início desse ano, quando a produção já havia sido finalizada.

O documentário é bastante competente e acerta em cheio ao não se prender nos aspectos técnicos do game design (apesar de tecer alguns comentários a respeito) o que o torna acessível para o público em geral. Mas é lógico que os gamers e aspirantes a desenvolvedores vão se deleitar muito mais com a obra. Tento pela identificação imediata com o tema como por entender as poucas e bem encaixadas explanações sobre as mecânicas dos jogos e algumas referências da “cultura gamer” embutidas ao longo da projeção.

A montagem e direção do documentário foram bastante competentes na condução do projeto. A montagem chamou a atenção por intercalar habilmente as três histórias deixando o espectador sempre entretido e na expectativa pela conclusão das “tramas”. Já a direção tem méritos por não esconder os defeitos de suas personas evitando uma forçada romantização dos protagonistas. Prova disso é a exposição de Phil Fish como uma pessoa arrogante (em dado momento, ele se revolta com seu ex-sócio e diz que ele ficará milionário sem ter feito nada no game, mas o jogo nem sequer havia sido lançado) e Tommy Refenes com sérios indícios de depressão. E é nessa sinceridade que o longa emociona. Ao mostrar as reais motivações desses profissionais liberais excêntricos que se negam a trabalhar para grandes corporações que em detrimento da integridade artística desenvolvem jogos formatados para agradar o maior público possível.

Alguns gamers poderão sentir falta de alguma obra importante para a cena indie como cave story. Fica a impressão de que os diretores optaram por projetos com algum retorno financeiro aos desenvolvedores. Quase que como um incentivo ($$$) aos aspirantes a game designers. Mas mesmo esses jogadores irão se emocionar com a paixão com a qual os protagonistas se dedicaram na suas tentativas de expressar-se através dos jogos (no depoimento de cada um, vemos que seus jogos querem transmitir alguma mensagem ou sentimento muito pessoal).

Indie Game: The Movie funciona como uma centelha para todos que possuem um sonho adormecido. No final da projeção é quase impossível não ficar pensando em todos os projetos que estão engavetados, ansiosos para serem tirados do papel. Blow, Fish, Refenes e McMillen mostram que não existe nenhum segredo mágico para a realização de um sonho. Bastam dois ingredientes que se nos esforçarmos um pouco encontraremos em cada um de nós: paixão e muito suor.

Em tempo: caso tenham se interessado pelo longa, o mesmo pode ser adquirido por apenas 9,99 dólares no site oficial do projeto: Indie Game: The Movie.

Leigômetro: ★★★★☆ 

Ficha Técnica
Hugo (2012)
Direção: Lisanne Pajot e James Swirsky
Com: Jonathan Blow, Phil Fish, Edmund McMillen, Tommy Refenes

2 comentários sobre “Indie Game: The Movie – suor e paixão

  1. Filme emocionante e estupendo. Já tá na hora de lançar a versão 2.0 do documentário. Ótimo review Bruno. 🙂

  2. Valeu Chico. Também achei o filme sensacional. Principalmente por humanizar mais os gamers. Geralmente quando vemos algumas reportagens ou produções tratando do tema, sempre passam aquela imagem de nerd-mor super estereotipada. E olha que vemos no filme que eles (principalmente o Fish) são bem nerds. Mas ainda assim, há uma profundidade na maneira como eles são apresentados. Há um espaço para expor as idéias e pensamentos dos caras. Genial! =D

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