Batman – O Cavaleiro das Trevas: Why so good?

nota 5

cavaleiro das trevas

Tenho que confessar: quase não escrevi um review sobre O Cavaleiro das Trevas, pois acredito que não há como redigir um texto à altura deste que é, disparado, o melhor filme sobre um héroi de quadrinhos de todos os tempos (mesmo que, e, talvez, exatamente por que, transcenda o gênero).

O novo longa do homem-morcego traz toda a ação que boa parte do público espera, mas o segredo do sucesso da produção está na trama e, principalmente, nos excelentes personagens. É impressionante como Christopher Nolan (Amnésia, ainda preciso escrever um review sobre esta obra prima) e seu irmão Jonathan Nolan conseguem desenvolver tantas sub-tramas (de forma coesa) em apenas duas horas e meia de projeção sem jamais fazer com que o espectador fique confuso.

A história se passa numa Gotham, aparentemente, mais tranquila, uma vez que os bandidos passaram a temer a figura do "vigilante mascarado". E para aumentar o clima de segurança, o carismático e corajoso promotor Harvey Dent, com o apoio da, também promotora, Rachel Dawes, abre a temporada de caça aos mafiosos da cidade, lutando para levá-los à cadeia.

O problema é que os chefões do crime, para dar continuidade aos seus negócios, acabam contratando os serviços de uma bizarra figura deformada, com uma medonha pintura de palhaço no rosto e um seboso cabelo esverdeado para acabar com o justiceiro. Heath Ledger (A Última Ceia) dá vida à versão mais insana e assustadora (Juro de pés juntos que tive pesadelos esta noite com o personagem.) do famoso vilão Coringa.

Imprevisível, frio e psicótico, o Coringa de Ledger é visceral. Parece que teremos realmente uma indicação póstuma, pois o trabalho do ator é simplesmente impecável.

Se a interpretação do palhaço é um show a parte, o restante do elenco não fica atrás. Christian Bale (O Grande Truque) retorna ao papel do "herói", agora muito mais atormentado e inseguro de suas ações. Em dado momento, sem querer entregar nada da história, o personagem vê como seus "atos noturnos" estão inspirando alguns cidadãos e se decepciona.

Morgan Freeman (Menina de Ouro), Michael Caine (Regras da Vida) e Gary Oldman (Drácula de Bram Stoker) continuam trazendo mais humanidade à trama como, respectivamente, o projetista de confiança de Bruce Wayne, Lucius Fox, o fiel mordomo Alfred e o incorruptível policial James Gordon. O trio forma o alicerce de apoio indispensável ao Batman. Há ainda Maggie Gyllenhaal (Mais Estranho Que a Ficção), que substituiu a Sra. Cruise e trouxe uma energia a mais para a Rachel Dawes.

Para finalizar, Aaron Eckhart (do excelente Obrigado por Fumar) encarna o "cavaleiro branco" Harvey Dent. O promotor, que, na minha opinião, é o personagem central de Cavaleiro das Trevas, tem sua trágica jornada apresentada de maneira convincente (graças ao trabalho de Eckhart) e, porque não, tocante.

Nolan provou que (contrariando minhas crenças) é possível contar uma boa história de herói com vários vilões (há uma importante aparição relâmpago do Espantalho) sem que o roteiro soe superficial. Pensei em sugerir ao meu sócio DP uma estrela extra para Batman – O Cavaleiro das Trevas, que é o melhor filme (de qualquer gênero) do ano até então, mas lembrei-me que antecipei, no segundo parágrafo deste extenso review, um pequeno problema na produção: o deleite dura apenas duas horas e meia.

Em tempo: virem o rosto da criança que estiver ao seu lado (se houver alguma) quando o Coringa anunciar uma mágica para fazer um lápis desaparecer.

 

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