Clube da Lua: visualmente sensível

Dirigido pelo sensível e sempre competente Juan José Campanella, que em parceria com Fernando Castets também assina o roteiro (ambos já trabalharam juntos no belíssimo “O Filho da Noiva”), “O Clube da Lua” é uma obra tocante e tecnicamente admirável.

O filme mostra as dificuldades enfrentadas por Román Maldonado, interpretado pelo sempre genial Ricardo Darín, para manter o clube onde literalmente nasceu. No entanto, essa é apenas uma camada superficial do roteiro que fala de amor, traição, paixão e amizade.

Um dos pontos fortes da produção, diz respeito aos personagens carismáticos e bem desenvolvidos. No segundo ato da trama, já nos sentimos amigos dos dirigentes e funcionários do clube. Nesse ponto, além da bela construção das personas, há também mérito do diretor que nas cenas de reuniões do grupo, busca sempre levar a câmera para dentro da roda posicionando-a na mesma altura da conversa, jogando o espectador no meio da discussão.

Tudo isso ajuda para que nos identifiquemos com a trupe do clube, mas não seria o suficiente se não fosse o competente trabalho dos atores. Darín, que dispensa palavras, se entrega ao interpretar o obstinado Román, homem apaixonado pelo clube, mas que começa a questionar essa paixão quando percebe que sua vida pessoal começa a ruir. Há também o alívio cômico Amadeu (Ricardo Blanco, que praticamente repete seu papel em “O Filho da Noiva”), a professora de balé que, cujo passado a impede de se entregar ao amor. Enfim, uma miríade de personagens marcantes com suas histórias particulares que se entrelaçam sutilmente.

Não poderia deixar de citar a bela direção de arte que aliada à sensível fotografia consegue em diversos momentos transmitir através de imagens os mais variados sentimentos e mensagens. Destaque para duas cenas: a de abertura, quando vemos o clube em seu auge, lotado e bem cuidado, para logo em seguida constatarmos a triste realidade na qual o mesmo se encontra – vazio e com a pintura descascando. E uma cena próxima do final, quando acompanhamos Román e uma mulher passando por um muro com uma citação que sintetiza de maneira genial toda a trajetória do personagem.

Já disse aqui o quanto gosto do trabalho desse incrível cineasta. Em “O Clube da Lua”, Campanella mostra mais uma vez que sabe como construir e conduzir uma narrativa de sensibilidade visual indiscutível. E levando em conta o histórico da parceria com Darín, que o próximo trabalho em conjunto da dupla não demore a sair do papel.

Leigômetro: ★★★★★ 

Ficha Técnica
Clube da Lua (Luna de Avellaneda, 2004)
Direção: Juan José Campanella
Com: Ricardo Darín, Eduardo Blanco, Mercedes Morán, Valeria Bertuccelli, Silvia Kutika, José Luis López Vázquez, Daniel Fanego

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Uma resposta para Clube da Lua: visualmente sensível

  1. Amanda Aouad 26/05/2011 às 10:31 #

    Adoro esse filme e todos de Campanella, realmente a força do filme está nos personagens, bem construído e bem interpretados.

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