Hop – Rebelde sem Páscoa: uma lição de cinema

Mal roteirizado, com atuações sofríveis e outros problemas técnicos, Hop: Rebelde Sem Páscoa, mistura de animação e live action dos mesmos criadores de Meu Malvado Favorito, é o que se pode definir como péssimo. Dirigido – se é que posso usar o termo – por Tim Hill (dos fracos Alvin e os Esquilos e Garfield[bb] 2) a obra é uma ode ao mal gosto.

Escrito a seis mãos (Cinco Paul, Ken Daurio e Brian Lynch), Hop conta a história do primeiro Coelho da Páscoa humano. Isso mesmo, a trama é non sense nesse nível. E acredite, essa é a menos incoerente das decisões do roteiro. Basicamente, o futuro coelho da páscoa não quer o cargo, foge para a cidade e é “atropelado” pelo preguiçoso e folgado Fred O’Hare. A partir daí, uma história totalmente sem pé nem cabeça – que levará Fred a ocupar a função do coelho da páscoa – tem início.

Se você leu a última frase e acha que acabou de levar um spoiler na cara, fique tranqüilo(a). Se há algo com que o longa não se preocupa é com a surpresa. Tudo é muito previsível. E os idealizadores parecem fazer questão dessa previsibilidade. Pra começar, desde o início sabemos que o coelho não será “O” coelho, pois Fred, numa narração em off, já nos alerta, no início do filme que acompanharemos a história de como ele se tornou o primeiro coelho da páscoa humano. Isso sem falar nos momentos em que o roteiro decide nos avisar da cena que vem a seguir. Destaque para a vergonhosa passagem em que Fred lê um bilhete de sua irmã alertando-o para usar a roupa de segurança até que os cães se acostumem com ele (ele ainda faz cara de quem não entendeu o porquê do aviso ¬¬).

O roteiro é tão bagunçado que em determinado momento a irmã de Fred pede para que ele se arrume e faça a barba para uma entrevista de emprego. Acontece que o ator James Mardsen (o Ciclope da trilogia X-Men) não possui um único fio de barba no rosto. Fica a dúvida: mudaram o ator durante as filmagens e não alteraram o diálogo, ou foi uma tentativa fracassada de piada? (como assisti a versão dublada, há uma terceira possibilidade: teria alguma piada se perdido na tradução?)

Outro problema, que a meu ver torna-se ainda mais grave por se tratar de uma produção dirigida ao público infantil, é a construção antipática dos personagens. Sem carisma algum, Fred é um folgado que foge de qualquer proposta de emprego que sua família encontra. Enquanto o coelho passa a maior parte da projeção infernizando a vida do Fred, o que o transforma numa figura irritante.

Se já não bastassem todos os problemas já citados, o que dizer das inúmeras referências forçadas e fora de contexto? Dentre elas, destaque para As Panteras (as “temíveis” boinas rosas) que num primeiro momento cria uma tensão ou expectativa, mas nunca chega a lugar algum e só reforça a sensação de que os roteiristas criavam idéias mas não conseguiam como desenvolvê-las.

Hop falha até no uso do clichê “se odeiam, mas se amam”, muito comum nas comédias românticas americanas. Desde o início vemos que Fred e o coelho não se gostam e não há uma mudança crescente e sutil no relacionamento. A amizade entre eles simplesmente se dá de maneira forçada e artificial.

Pra não dizer que não falei das flores, há uma única coisa que se salva em meio a toda bagunça: o vilão. Um pintinho (isso mesmo) sempre munido de boas piadas (destaque para cena dos pulinhos e do protetor de orelhas). Pena que ficamos torcendo para ele aparecer em cena para aliviar o sofrimento, mas seus momentos na tela são raros e curtos.

Com tantos problemas, Hop é tão ruim que dá uma volta e se torna interessante. Não que seja, de fato, uma obra prima ou algo do gênero. Mas acaba sendo um belo exemplo de como não se fazer um filme. Da direção ao roteiro, passando pelas atuações, fotografia, montagem, diálogos…

Leigômetro: ★☆☆☆☆ 

Ficha Técnica
Hop – Rebelde Sem Páscoa (Hop, 2011)
Direção: Tim Hill
Com: James Marsden, Russell Brand, Kaley Cuoco, Hank Azaria, Gary Cole, Elizabeth Perkins, Hugh Laurie, Tiffany Espensen e David Hasselhoff

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3 Respostas para Hop – Rebelde sem Páscoa: uma lição de cinema

  1. Amanda Aouad 07/05/2011 às 01:17 #

    Pois é, HOP é ruim, mas só o fato de não ser pior que Garfield 3D já me deixou olhar o filme com um pouco mais de simpatia. Mas, o roteiro é ruim mesmo, principalmente na parte final, quando o pintinho vira vilão de vez. Fora que James Marsden tá com uma cara de bobo, né?

  2. Bruno Zé 07/05/2011 às 15:57 #

    Verdade Amanda. O James Mardsen atuou de forma bem caricata. Tem uma cena em que ele corre de maneira tão exagerada que mais parecia o desenho do Scooby-Doo. Como infelizente (ou felizmente, sei lá rs) não assisti Garfield 3D, Hop não conseguiu nem um pouco de minha simpatia. Se bem que assisti com uma turma e depois ficamos um tempão conversando sobre os pontos negativos do longa. Pelo menos serviu como exercício para crítica. rs

  3. Rafael Cruz 21/05/2011 às 21:39 #

    Eu ouso dizer que a mescla de animação com live action nunca produziu algo digno de ser visto (alguém me corrija se eu estiver errado). Por essas e outras que não ouso nem ver o trailer do filme do Zé Colméia ou dos Smurfs. Acho que sou portador da Síndrome da Vergonha Alheia, sinto pena pelos atores que estão em cena nessas incríveis bizarrices. Minha expectativa pra Hop era 0, então o texto não alterou muito meu conceito. Coitada da Kaley Cuoco!

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