A Rede Social: sexo, drogas e programação

David Fincher (do excelente Zodíaco) é, na minha opinião, um dos poucos diretores em atividade que ainda não arranharam sua carreira com alguma produção bisonha (estou olhando para você, Shyamalan). Seu novo trabalho dá uma inusitada visão de rockstar ao estereotipado nerd da computação. Pode ser a empolgação do momento, mas arrisco dizer que A Rede Social figura, ao lado de Tropa de Elite 2 e A Origem, entre os melhores filmes do ano de 2010.

Baseado no livro Bilionários por Acaso, de Ben Mezrich, o longa, competentemente roteirizado por Aaron Sorkin (Questão de Honra), narra a história da criação do Facebook, pela ótica do co-fundador, o brasileiro Eduardo Saverin. Para ser mais preciso, A Rede Social é sobre Mark Zuckerberg, o parceiro de Saverin na criação da maior rede social do mundo (hoje com cerca de 500 milhões de usuários).

Zuckerberg é o típico gênio da computação que permeia vários filmes sobre o tema: arrogante, ambicioso e um tanto anti-social (lembra bastante o personagem Gregory House), mas que deseja obsessivamente ser reconhecido. Por outro lado, Saverin é o imigrante com grana para financiar “sua” idéia genial (apesar de também ser um nerd, mas em escala menor).

Entre a idéia inicial de uma rede de relacionamentos restrita e a febre que transformou Zuckerberg no mais jovem bilionário, Fincher nos mostra um mundo cheio de intrigas, inveja, sexo, drogas e muita programação. A trama do filme é perfeitamente compreensível pelo público em geral, mas a turma de T.I. (programadores, em particular) vai aproveitar ainda mais a obra por entender as referências e jargões da área utilizados sem grandes exageros (com exceção da divertida cena de seleção para estagiários). É muito bom ver um filme sobre computação mais “pé no chão”, sem hackers invadindo bancos com duas linhas de comando, tendo uma arma na cabeça e uma granada no colo.

Importante ressaltar o belo trabalho dos atores. Destaque para Jesse Eisenberg (A Lula e a Baleia) – perfeito como o gênio/anti-social sem papas na língua- e Armie Hammer intérprete dos gêmeos atletas Winklevoss que acusam Zuckerberg de roubar a idéia deles para criar o Facebook. Não podia esquecer a grata surpresa que foi (pelo menos para mim) Justin Timberlake na pele do playboy/manipulador Sean Parker, criador do Napster.

Não bastassem todas as qualidades já citadas – direção, roteiro, interpretação – temos uma edição dinâmica que dá o tom dessa obra perfeita para a nossa geração que foi criada na era da internet, onde impérios são criados e vidas podem ser destruídas na velocidade de um clique. Não sei se a academia vai concordar, mas eu “curti” demais o filme.

Leigômetro: ★★★★★ 

Ficha Técnica
A Rede Social (The Social Network, 2010) 
De: David Fincher
Com: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Armie Hammer, Justin Timberlake, Rooney Mara

Um comentário sobre “A Rede Social: sexo, drogas e programação

  1. Primeiramente: eu tava com saudade disso aqui… mas quando o diretor do meu curso lá na Universidade me disse a frase mágica (você está de férias), levei perfeitamente ao pé da letra. Comprei um bichinho virtual e… enfim! Entrava mais na net,para ver as rede sociais (inclusive o “facebook”).

    Depois de Assistir ao filme, senti uma vontade imensa alimentada pela curiosidade de fazer ciência da computação. Gostei muito do filme e quero ler o livro… se eu não conseguir comprar, vou procurar em pdf, será que eu encontro?

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