Transformers: muito barulho por nada

protect and destroy

Bons tempos em que um bom filme (ou desenho animado, história em quadrinhos etc…) gerava derivados comerciais como bonecos e seus similares e não o inverso. Transformers é um exemplo dessa contramão criativa (a empresa americana Hasbro encomendou uma série animada na década de 80 para divulgar sua, então, nova linha de brinquedos).

Vamos à desculpa encontrada pelos roteiristas para a profusão de explosões, perseguições, etc…: duas raças de robôs que se transformam em veículos (pelo menos no desenho animado era assim, aqui eles se transformam em mais coisas) – os autobots (os mocinhos liderados pelo carismático Optimus Prime) e os decepticons (os vilões comandados pelo malévolo Megatron) – chegam a Terra em busca de um “cubo de energia” que dá vida a qualquer equipamento eletrônico (engraçado que todos viram vilões). A única pista para encontrá-lo é um garoto chamado Sam Witwicky (Shia LaBeouf) com o óculos de seu tataravô e para garantir sua segurança, um autobot (Bumblebee que no desenho era um fusca e aqui virou um camaro) é enviado para protegê-lo.

Com efeitos espetaculares (a ILM de George Lucas é a responsável), Transformers parece querer desviar a atenção do público do principal: a história e seus personagens. Por quê mesmo que os decepticons querem destruir tudo e todos? E a garota que descobre tudo sobre o vírus alienígena que invadiu o sistema do pentágono apenas ouvindo uns sons gravados? Seria ela também uma alienígena? E os soldados americanos que são apresentados no início da projeção e esquecidos durante quase toda película?

O filme ainda tenta ser engraçado, mas só consegue acertar o tom cômico em poucos momentos (destaque para a cena do cartão de crédito), pois na maior parte apela para o pastelão, como na cena do robô gigante urinando (?) num agente secreto. Como se não bastasse, comerciais começam a pipocar na tela sem o menor pudor (o diretor faz, inclusive, propaganda de um dos seus filmes: Armaggedon).

Com todos os problemas típicos de um Blockbuster mal conduzido, resta ao espectador deixar o cérebro no piloto automático e se vislumbrar com os excelentes efeitos especiais (esses sim, dignos de Oscar), enquanto desfruta sua pipoca.

 

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